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Presença terapêutica: o que significa estar realmente presente na clínica

  • Foto do escritor: Psicóloga Laíne Domingues
    Psicóloga Laíne Domingues
  • 1 de abr.
  • 1 min de leitura

Há uma diferença entre ouvir e escutar. Entre estar na sala e estar presente. Entre conduzir uma sessão e habitar o encontro.

Essa diferença não é pequena. Ela pode ser, para quem está do outro lado, a distinção entre sentir que existe e sentir que desaparece.

Ferenczi foi um dos primeiros a nomear isso com coragem dentro da psicanálise. Para ele, a neutralidade fria do analista, aquela que se retrai, que não se move, que responde sempre da mesma forma, corre o risco de repetir algo que o paciente já conhece bem demais: a indiferença. E a indiferença, quando vivida cedo e com frequência, deixa marca.

Isso não significa que o analista deva se expor sem limite ou abandonar o enquadre. Significa algo mais sutil: que a presença real do analista, sua disponibilidade afetiva, sua capacidade de ser tocado sem ser arrastado, é parte do trabalho, não desvio dele.

Winnicott chamava de ambiente suficientemente bom aquele que não precisa ser perfeito, mas precisa ser confiável. O analista, nesse sentido, oferece algo parecido: não respostas certas, mas uma presença que sustenta. Que permanece. Que não some quando o que aparece é difícil.

Para quem nunca teve isso, e muitos que chegam à clínica não tiveram, essa experiência é, em si, transformadora. Não porque o analista resolveu algo. Mas porque foi possível existir diante de alguém sem precisar se apagar para isso.

A presença não é técnica. É ética.


 
 
 

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